Um pouco por todo o mundo, mitos e lendas fazem parte do imaginário popular e da identidade coletiva de países e regiões. Em Portugal, não é diferente. O nosso país é o palco de várias histórias transmitidas ao longo das gerações. Além das lendas comuns a todo o país, existem algumas ligadas a certas regiões. No Algarve, algumas das histórias mais conhecidas são a lenda das amendoeiras em flor e as lendas de mouras encantadas.

As histórias sobre mouras encantadas assumem diferentes formas. Em Tavira, é impossível pensar na lenda da moura encantada sem pensar no cenário dessa história: o castelo da cidade. Ao longo dos séculos, passaram pelo castelo figuras que deixaram a sua marca na história de Tavira. Situado num ponto alto da cidade, continua a ser um monumento muito visitado. Não só pela beleza das suas paisagens como também pela riqueza da sua história.

A história da moura encantada do castelo de Tavira começa com a conquista da cidade, por D. Paio Peres Correia, no século XIII. Segundo a lenda, nessa altura Tavira era governada por Aben-Fabila, que tinha uma filha muito bela. Quando percebeu que teria de fugir, decidiu encantar a sua filha, pois tinha esperança de a salvar quando reconquistasse a cidade. Nunca conseguiu. Durante a tomada da cidade, numa noite de São João, um cavaleiro cristão chamado D. Ramiro viu a moura numa muralha do castelo. Impressionado pela sua beleza, o cavaleiro decidiu subir ao castelo para a desencantar. Porém, escalar a fortaleza revelou-se difícil e demorado. A manhã não tardou a chegar e, antes de o cavaleiro a conseguir alcançar, a moura entrou para uma nuvem e desapareceu. Incapaz de intervir, D. Ramiro viu a sua amada desvanecer. Ainda hoje, diz-se que a moura continua a aparecer no castelo de Tavira, na noite de São João, para chorar o seu destino.

Apesar de existirem várias versões – como em todas as lendas – com detalhes ligeiramente diferentes, a base é sempre a mesma. Esta história tornou-se num símbolo da cidade de Tavira e passou a fazer parte da sua história. Atualmente, continua a ser contada às novas gerações, como forma de manter a tradição. Todos os anos, no dia 24 de Junho (dia de São João e dia da cidade), é feita uma encenação da lenda nas muralhas do castelo de Tavira.

(Filipe Lourenço)

Além da lenda da moura encantada, Tavira também é o palco da lenda dos sete cavaleiros e da lenda do rio Gilão. Todas estas lendas estão profundamente ligadas a locais específicos da cidade. Enquanto a lenda dos sete cavaleiros está eternizada nas paredes da Igreja de Santa Maria, a lenda do rio Gilão vive nas águas que banham a cidade.


Todas estas lendas contribuem para enriquecer a história da cidade e das suas gentes. Conhecê-las é conhecer aventuras surpreendentes com protagonistas fantásticos, percebendo que até os sítios e coisas que consideramos comuns podem esconder belos segredos.
