MDM reforça luta pela igualdade de norte a sul do país

O Movimento Democrático de Mulheres (MDM) voltou a assinalar o Dia Internacional da Mulher com iniciativas em todo o país, reafirmando o seu papel histórico na defesa da igualdade, da justiça social e dos direitos das mulheres. Neste ano, a organização promoveu a Manifestação Nacional de Mulheres em 16 cidades portuguesas sob o lema “Vida com dignidade. Direitos com igualdade”, levando para a rua reivindicações que continuam atuais, como melhores salários, combate à violência, valorização do trabalho e defesa de direitos conquistados. Em Faro, essa mobilização de 8 de março ganhou particular expressão com uma marcha que reuniu centenas de pessoas.

Fotografia: Sara Sequeira

Durante e após a ditadura, a luta continua

Fundado em 1968, ainda durante o período do Estado Novo, o MDM nasceu na clandestinidade como estrutura de resistência feminina contra a repressão política e a desigualdade. Numa sociedade em que as mulheres viam limitados direitos fundamentais, o MDM tornou-se uma voz ativa na denúncia das injustiças e na defesa da liberdade.

Após a revolução de 25 de abril de 1974, o movimento teve intervenção decisiva em várias conquistas sociais e legislativas. O acesso à educação, à saúde reprodutiva, à participação política, à proteção no trabalho e ao reconhecimento da igualdade jurídica entre mulheres e homens contou com décadas de pressão e organização coletiva com presença constante do MDM.

Atualmente, a estrutura continua a intervir em matérias centrais da vida democrática portuguesa. A luta contra a violência doméstica, a desigualdade salarial, a precariedade laboral, a pobreza e a fragilização dos serviços públicos mantêm-se entre as prioridades de uma organização que considera que os direitos alcançados só se preservam com participação cívica e mobilização contínua. Ao assinalar o 8 de março, o movimento sublinha também que os avanços obtidos nunca devem ser vistos como definitivos. Para o MDM, persistem desigualdades profundas e existem riscos de retrocesso sempre que se enfraquecem direitos laborais, sociais ou reprodutivos.

8 de março nas ruas de Faro

O Dia Internacional da Mulher no Algarve voltou a tornar Faro o palco de fortes demonstrações de participação popular. Centenas de mulheres e apoiantes juntaram-se numa marcha entre a Avenida Calouste Gulbenkian e o Teatro das Figuras, num momento que uniu reivindicação e celebração. Participaram mulheres de vários concelhos algarvios, muitas delas com transporte assegurado por autarquias, mostrando a capacidade de mobilização regional do MDM e o enraizamento da iniciativa no território.

No final do desfile, o Teatro das Figuras recebeu um programa cultural com música, dança, canto coral, fado e cante alentejano. A dimensão artística serviu de complemento à mensagem política, reforçando a tradição do movimento de utilizar a cultura como instrumento de consciencialização, encontro e participação cívica.

Fotografia: Sara Sequeira

Isa Martins, membro da Direção Nacional e Distrital do MDM, destacou que a maior conquista das mulheres “é estarmos unidas”, reiterando que “a igualdade ainda não é uma concretização”. Também Sandra Esteves, da Direção Nacional, recordou que os direitos conquistados exigem vigilância permanente e continuidade na luta. Em Faro, como no resto do país, o 8 de março voltou a afirmar-se não apenas como data simbólica, mas como momento de mobilização coletiva e renovação de compromissos.

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